4.25 - carie

1 – Quando o tecido duro “amolece”
A cárie é uma doença infectocontagiosa que pode surgir sobre a superfície dental por vários fatores, como excesso de açúcar na alimentação ou falta de uma higiene correta. É resultado da desmineralização do esmalte e da dentina, os tecidos duros do dente constituídos principalmente de minerais. Esses tecidos podem sofrer a ação de substâncias ácidas que removem os minerais, e, por causa dessa ação, esmalte e dentina perdem a dureza característica e vão ficando mais frágeis. Quando isso acontece, é sinal que a cárie já se instalou em uma ou mais partes do dente.

2 – Inimiga Invisível
Mas, para que ela aconteça, é necessária a presença abundante da placa bacteriana. Trata-se de uma película incolor, constituída por bactérias e açúcares, que se adere nas superfícies dos dentes. Na verdade, a presença da placa na cavidade bucal é normal, até porque as bactérias que fazem parte dela vivem habitualmente na boca. “Entretanto, quando ingerimos alimentos ricos em carboidratos e açúcares fermentáveis, essas bactérias metabolizam os nutrientes, produzindo substâncias ácidas. Estas, por sua vez, causam uma diminuição no pH do meio bucal, tornando-o mais ácido. E é essa acidez que faz com que os tecidos duros se desmineralizem, dando início ao processo de formação da cárie”, explica o cirurgião-dentista Cláudio Osiris de Oliveira.

3 – No início, apenas uma mancha
O primeiro sinal de que o esmalte está perdendo seus minerais é o aparecimento de uma mancha esbranquiçada e opaca sobre sua superfície. Nessa fase, o tratamento é simples. Basta fazer o controle da placa bacteriana por meio de uma boa higienização, pela adequação da dieta com a diminuição de ingestão de açúcares e por aplicações de flúor sobre os dentes, realizadas pelo dentista. Entretanto, se essa mancha não for controlada, a desmineralização do esmalte progride até se formar uma cavidade que vai aumentando até atingir a dentina. Esta é a segunda camada do dente (contando de fora para dentro) e é menos dura que o esmalte. Portanto, quando atinge essa estrutura, a cárie progride com maior rapidez por encontrar menos resistência.

4 – Depois, a dor
Quando ela acontece, é sinal de que o esmalte já foi desmineralizado e o ataque ácido está localizado diretamente na dentina. Ao contrário do esmalte, a dentina apresenta sensibilidade. É por isso que, ao ser atingida pela cárie, a dentina reclama, principalmente quando a pessoa come uma substância doce. Se não for removida, a cárie continua a avançar, amolecendo a maior parte da dentina e chegando finalmente à polpa. Esta é o tecido mole situado no interior do dente, no qual se encontram minúsculos vasos e nervos. Em geral, o tratamento nessa fase se constitui na remoção da polpa e a colocação de um material inerte em seu lugar. Nessa altura do campeonato, em geral, o paciente está sofrendo com uma dor intensa que não passa nem com analgésicos. Então, a única maneira de acabar com o problema é o tratamento de canal.

5 – Sob controle
Mas, apesar de a placa estar sempre presente na boca – ela começa a se formar cerca de cinco a dez minutos após a escovação -, a cárie não deve ser encarada como uma fatalidade obrigatória e, sim, como uma doença passível de ser controlada. É fácil evitá-la. Mas, para isso, é importante mexer na dieta. Ou seja, quanto menos açúcar for ingerido, menor o risco de a cárie se instalar. Depois, é fundamental controlar a formação da placa bacteriana. E esse controle se faz com uma escovação adequada várias vezes ao dia, principalmente depois das refeições. Vale a pena saber que, apesar de a placa reiniciar sua formação rapidamente, é necessário um tempo bem maior para que as substâncias ácidas comecem seu ataque. Por fim, outra maneira de evitar o problema é com as aplicações de flúor realizadas pelo dentista. O flúor existente nos cremes dentais também ajuda a proteger o esmalte contra a ação dos ácidos.

6 – Cuidados desde a gestação
A prevenção da cárie deve começar já na gravidez. A própria gestante precisa ter uma saúde bucal perfeita para prevenir complicações. Existem pesquisas que demonstram uma relação entre parto prematuro e presença de doenças periodontais (da gengiva) na gestante, causadas também pela placa bacteriana. E a grávida pode, sim, ir ao dentista. Depois do parto, a prevenção deve continuar e não ser deixada de lado até que surjam os primeiros dentinhos do bebê: “Como a cárie é uma doença infectocontagiosa, a mãe com doenças bucais transmite uma maior carga de microorganismos para seu filho. Além disso, a mãe também não deve beijar a criança na boca, compartilhar talheres ou assoprar sua comida para evitar a transmissão de bactérias”, avisa a cirurgiã-dentista Carolina Cardoso Guedes.

7 – Para proteger o coração
Uma cárie não tratada pode ter conseqüências, mais ou menos sérias, tanto para a boca quanto para a saúde em geral. “Quando há perda de um dente, pode haver dificuldade na mastigação, na fala, além de a estética ficar comprometida. Uma pessoa com dor não mastiga direito e, por isso, não digere corretamente nem absorve os nutrientes como deveria”, diz Carolina. A falta de um dente também causa alterações na ATM (articulação temporomandibular) apresentando dores de cabeça, de ouvido, no pescoço, alterações posturais e bruxismo. “Não devemos esquecer que a polpa se comunica com nosso sistema vascular. Então, as bactérias que a alcançam podem cair na corrente sanguínea e circular pelo organismo todo. Se os microorganismos atingem o músculo cardíaco, pode aparecer uma endocardite bacteriana, infecção no endocárdio e nas válvulas cardíacas”, finaliza Oliveira.
*CONSULTORIA: CLÁUDIO OSIRIS DE OLIVEIRA, CIRURGIÃO-DENTISTA E MESTRE EM CIÊNCIAS PELA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, PROFESSOR DA DISCIPLINA DE FISIOLOGIA HUMANA E COORDENADOR DO CURSO DE ODONTOLOGIA DA UNIVERSIDADE BRAZ CUBAS; CAROLINA CARDOSO GUEDES, CIRURGIÃ-DENTISTA, ESPECIALISTA EM ODONTOPEDIATRIA E PROFESSORA DA DISCIPLINA DE CLÍNICA INFANTIL DA UNIVERSIDADE BRAZ CUBAS.

Fonte: http://zip.net/bwncnf

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